Moraes sobre decisões contra Bolsonaro: ‘Não há possibilidade de recuar’

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descartou a possibilidade de revogar qualquer medida restritiva imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.

“Não há a menor possibilidade de recuar um milímetro sequer”, disse o magistrado, em entrevista exclusiva ao jornal norte-americano The Washington Post, divulgada nesta segunda-feira, 18.

O ministro completou a sua declaração defendendo a sua atuação no Judiciário. Segundo ele, a Corte atuará de forma imparcial durante o julgamento do político, marcado para o dia 2 de setembro, pelo ministro Cristiano Zanin.

“Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”, afirmou Moraes.

Devido a sua atuação no caso do ex-presidente, Moraes foi alvo do governo dos Estados Unidos (EUA), sob a justificativa de fazer uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro.

Como consequência, a gestão Donald Trump o sancionou com a Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros.

Julgamento de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados enfrentarão seu primeiro dia de julgamento no dia 2 de setembro, em um processo que pode condená-los por uma tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.

A sessão será conduzida pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que acontece no julgamento

A sessão começa às 9h. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, fará a leitura de um relatório, que é um resumo de todas as etapas do processo. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá até uma hora para apresentar a acusação contra os réus.

Após a fala da acusação, os advogados de defesa terão o mesmo tempo para apresentar seus argumentos.

O primeiro a votar será Alexandre de Moraes, que irá analisar as alegações das defesas, como pedidos de anulação da delação premiada de Mauro Cid e a absolvição dos réus. Moraes decidirá se os acusados serão condenados ou absolvidos e, em caso de condenação, qual será a pena.

Quem são os réus

O processo julga os principais envolvidos na tentativa de golpe. São eles:

  • Jair Bolsonaro: ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin
  • Almir Garnier: ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres: ex-ministro da Justiça
  • Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
  • Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto: ex-ministro e candidato a vice de Bolsonaro
  • Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Quais crimes são julgados

Todos os réus respondem por:
  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado e deterioração de patrimônio público

O único réu com acusações diferentes é Alexandre Ramagem, que é deputado federal. Ele teve duas das cinco acusações suspensas, pois a Constituição garante uma proteção legal para crimes de violência e ameaça contra o patrimônio da União. Ramagem continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

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