Prefeitos e MP-BA firmam acordo para limitar cachês em R$ 700 mil no São João

Em uma tentativa de conter o avanço desenfreado dos gastos públicos com festas populares, a União dos Municípios da Bahia (UPB) e o Ministério Público do Estado (MP-BA) firmaram, nesta quarta-feira (4), um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece regras rígidas para as contratações do São João 2026. O principal ponto do acordo é a criação de um teto de R$ 700 mil para o cachê de qualquer atração musical.

Além do limite individual por artista, o documento determina que o orçamento total das prefeituras para os festejos juninos deste ano não poderá ultrapassar o montante gasto em 2025. O único reajuste permitido será a correção monetária baseada na inflação do período.

A decisão ocorre em um momento de fiscalização intensa sobre municípios que, muitas vezes, enfrentam dificuldades em setores básicos como saúde e educação, mas destinam vultosas quantias para eventos de curto prazo.

O descumprimento das cláusulas do TAC poderá resultar em multas pessoais aos gestores e no bloqueio judicial dos recursos destinados aos eventos. Com essa medida, o Ministério Público espera garantir que a tradição cultural baiana seja preservada sem comprometer a saúde financeira das cidades.

O acordo também incentiva que os municípios priorizem a contratação de artistas locais e regionais, equilibrando a grade de programação entre nomes de apelo nacional e as raízes do forró tradicional.

Veja artistas que excederam teto de R$ 700 mil e podem ficar de fora do São João

Se o teto de R$ 700 mil proposto no encontro da União dos Municípios da Bahia (UPB) desta quarta-feira, 4, para a contratação de bandas nas festas juninas for mesmo colocado em prática, alguns artistas poderão ficar de fora dos festejos neste ano na Bahia.

De acordo com levantamento feito pelo Portal A TARDE com base nos dados do Portal da Transparência do Ministério Público do Estado (MPBA) de 2025, 12 artistas ficariam acima do limite estabelecido pelos prefeitos do estado, a exemplo de Alok (R$ 750 mil), Ivete Sangalo (R$ 750 mil) e Wesley Safadão, que cobrou o maior cachê, no valor de R$ 1,1 milhão.

Veja os cachês de 2025 que ultrapassaram o teto de R$ 700 mil:

  • Wesley Safadão – R$ 1,1 MILHÃO
  • Jorge e Mateus – R$ 900 mil
  • Nattan – R$ 900 mil
  • Zé Neto e Cristiano – R$ 804 mil
  • Ana Castela – R$ 805 mil
  • Simone Mendes – R$ 800 mil
  • Zé Neto e Cristiano – R$ 800 mil
  • Bruno e Marrone – R$ 784 mil
  • Maiara e Maraísa – R$ 754 mil
  • Ivete Sangalo – R$ 750 mil
  • Leonardo – R$ 750 mil
  • Alok – R$ 750 mil

A decisão de estabelecer um limite de gastos por atração vem na esteira das reclamações dos prefeitos da Bahia com relação aos valores recentes cobrados por cantores durante os festejos juninos. Os prefeitos agora vão levar a demanda ao MP-BA, que é responsável pela fiscalização do emprego dos cachês de festas juninas.

Farra

No ano passado, o total de gastos de prefeituras com a contratação de bandas foi de R$ 614 milhões. Ao todo foram contratados 2.851 artistas em mais de 6 mil apresentações.

Conforme a ferramenta do MP-BA, a maioria dos recursos que bancaram as festas é de origem municipal, na ordem de R$ 494 milhões. O estado destinou R$ 83,5 milhões e a União R$ 16,1 milhão.

No topo do ranking dos municípios que mais gastaram nos festejos juninos em 2025, está Cruz das Almas, que desembolsou R$ 10,56 milhões, depois aparece Jequié, com R$ 10,21 milhões. Fechando o pódio está Conceição do Jacuípe com R$ 9,75 milhões.

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