A primeira-dama Janja da Silva esteve presente nesta sexta-feira (15), na tradicional Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia. O evento, reconhecido por unir elementos do candomblé e do catolicismo, é um dos mais importantes do calendário cultural e religioso da região.
Reconhecimento cultural e obras anunciadas
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância histórica e social da celebração e frisou que a festa tem importância notável por tudo que já entregou para a sociedade brasileira
“Resgatando a história, em outros tempos comprando a liberdade de pessoas escravizadas. É uma história muito comovente. É uma comunidade de mulheres, um movimento de mulheres defendendo a liberdade, defendendo os direitos humanos”, afirmou.
Durante a cerimônia, foram anunciadas obras do PAC Cidades para a Casa de Samba da Dona Dalva e para o Terreiro Ilê Axé Icimimó. Dona Dalva foi apresentada como provedora da Festa da Boa Morte de 2026, e o terreiro recebeu uma placa de tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O município de Cachoeira aderiu à política de Povos de Terreiro do Governo Federal e ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR). Outras 12 prefeituras do estado também passaram a integrar o sistema.
“É uma alegria estar representando aqui os municípios da Bahia e assumindo essa responsabilidade de combater o racismo, não só em Cachoeira, mas em todo o país”, disse a prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga (PT), em nome de todos os municípios.
Celebração religiosa e preservação da memória
Na Igreja da Matriz de Cachoeira, autoridades participaram da missa solene. A primeira-dama Janja da Silva e ministras foram homenageadas pela contribuição com políticas de valorização da cultura. Para o secretário da Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, a festa representa fé, resistência e preservação da memória cultural.
“O Governo do Estado reconhece essa festa como patrimônio imaterial da Bahia desde 2010 e, com muito respeito, nós construímos a cada ano em diálogo com as irmãs da Boa Morte. A nossa participação e o nosso apoio acontecem com um diálogo muito respeitoso às nossas senhoras, que representam gerações de mulheres negras que, desde a escravização, lutam pela liberdade”, destacou.

Irmandade da Boa Morte recebe título federal
A Irmandade da Boa Morte recebeu o título de Promotora da Igualdade Racial pelo Governo Federal. A tradição afro-católica, surgida no século XVII em Salvador e transferida para Cachoeira durante conflitos na capital baiana, mantém o compromisso de preservar a memória cultural e a dignidade social das pessoas vulneráveis.
Irmã Neci Santos Leite, provedora da festa neste ano e integrante da Irmandade há 17 anos, destacou o papel histórico da organização e enfatizou que o evento promove o “reconhecimento de uma alforria”.
“Isso foi uma busca, uma luta nossa ao longo dos séculos e começou com nossos ancestrais escravizados. Pessoas escravizadas não tinham direito a uma morte digna, eram jogadas em uma vala, de qualquer jeito, para os bichos destruírem. Então, nossa busca foi sempre por dignidade e por liberdade”.
A Irmandade organiza anualmente cargos como provedora, procuradora, tesoureira e escrivã, que são responsáveis pela gestão dos rituais e das atividades culturais. Esses papéis garantem a continuidade da tradição, mantendo viva a história de resistência das mulheres negras e reforçando o compromisso com a memória e a liberdade.