O ex-ministro e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), afirmou, nesta segunda-feira, (17), que está preparado para atuar em qualquer função pública a que venha a ser designado. A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelo Grupo A TARDE, após ser questionado sobre uma eventual sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2030.
Questionado sobre a possibilidade de assumir um papel de maior destaque no cenário nacional, caso Lula encerre sua trajetória política a partir de 2030, o ex-ministro da Casa Civil respondeu afastando qualquer plano prévio de disputar a Presidência da República.
“Nunca passou pela minha cabeça ser governador, como não passa pela minha cabeça ser presidente da República, isso é só circunstância e que graças a Deus eu tive a oportunidade de ocupar um cargo que todos dizem mais importante da Esplanada e eu fico feliz pelo saldo disso ser extremamente positivo”, declarou.
Rui faz balanço de passagem pela Casa Civil
Na ocasião, o candidato ao Senado Federal também citou indicadores econômicos e sociais para justificar o que classificou como um saldo positivo à frente da Casa Civil. “É evidente que eu apanhei muito, se apanha às vezes mais dos supostos amigos às vezes do que dos adversários, mas graças a Deus que o que interessa é o saldo disso, o saldo é que o Brasil tem a menor taxa de desemprego da história, o saldo é que nós temos a maior massa salarial, o saldo é que o presidente comemorou a semana passada dez milhões de empregos formais no Brasil nesse período que ele é governo presidente da República”, afirmou.
Rui Costa mencionou ainda o Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional do governo federal. “O saldo que nós temos, vamos chegar em dezembro a três milhões de casas construídas, um recorde de investimento, o Brasil voltou a ter nesses três anos e meio, agora quatro anos, o mesmo percentual de investimento que teve em 2010 quando Lula era presidente”, disse, ao comparar o cenário atual com o segundo mandato de Lula e com a gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).
“Eu me considero preparado para o Senado, me considero preparado para qualquer função pública e eu tenho uma obsessão, que eu me dedico, minha mãe é a me dar e fazer daquilo o melhor coisa que eu posso fazer, então sempre me dedico, minha mãe e mim criou assim, me orientou assim, faça sempre o que você, o melhor que você consiga fazer e eu me dedico bastante e graças a Deus nós estamos colhendo um resultado coletivo, não é só algum trabalho, mas de muita gente”, complementou.
Rui destaca universalização de creches como prioridade
O candidato ao Senado Federal também abordou a educação infantil durante a entrevista, e defendeu a criação de uma meta para garantir o acesso universal a creches em todo o país. Na avaliação dele, ampliar essa oferta é um passo necessário para melhorar o rendimento de crianças e jovens nas etapas seguintes da vida escolar.
Para ilustrar o argumento, Rui Costa recorreu a uma analogia com a construção civil. “Eu comparo sempre que educação é como construir uma casa. E a educação infantil e creche são como a fundação de uma casa, o radier da casa. Se uma casa é construída sem uma fundação adequada, ela vai trincar, ela vai rachar, podendo até cair”, afirmou.
O ex-ministro sustentou que a base recebida pela criança nos primeiros anos molda os resultados obtidos mais adiante na trajetória acadêmica. “Todo o desempenho escolar de um jovem tem a ver com sua formação de base”, alertou.
Ao tratar do tema, o entrevistado apontou a insuficiência de vagas em creches e escolas de educação infantil em diversos municípios brasileiros, mencionando Salvador como exemplo dessa carência. “Infelizmente muitas cidades do Brasil, a exemplo de Salvador, não oferecem creche, não oferecem educação infantil para suas crianças”, disparou. Para o entrevistado, investir na primeira infância é uma forma de diminuir desigualdades no ensino e fortalecer a formação escolar desde o início.
Ex-ministro defende descentralização de investimentos pelo país
Um segundo eixo abordado por Rui Costa foi a distribuição de investimentos entre os estados brasileiros. O ex-governador da Bahia disse que pretende levar o assunto ao Congresso Nacional caso seja eleito, propondo uma política pública voltada a reduzir as disparidades regionais no país. Ele atribuiu ao Sudeste, sobretudo a São Paulo, uma vantagem competitiva em relação aos demais estados na atração de investimentos.
“É um desafio sempre grande porque todos os estados querem, mas é fato que o Sudeste, principalmente São Paulo, leva uma vantagem gigantesca sobre qualquer estado brasileiro e por isso eu sou defensor de uma política pública nacional de descentralizar investimentos”, afirmou o ex-ministro da Casa Civil.
Como referência para essa proposta, Rui Costa citou o modelo chinês de planejamento territorial. “A China, que cresceu, fez isso como política nacional, ou seja, tem uma diretriz nacional para aquela extensão territorial gigantesca de investir e desenvolver todas as regiões da China”, declarou.
O tema, segundo ele, deve ocupar espaço central em sua atuação parlamentar caso seja eleito. “Esse direcionamento como política pública nacional faz toda a diferença. Esse é um dos debates que eu quero levar para o Senado, porque não pode continuar esse absurdo dessa concentração de investimentos em um só estado”, afirmou o candidato, que concorre a uma cadeira no Senado Federal ao lado do candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT).
Ele também relacionou a proposta às mudanças trazidas pela reforma tributária, que passa a vedar a concessão de novos incentivos fiscais pelos estados a partir de janeiro de 2027.
“Os estados não poderão mais dar novos incentivos fiscais para atrair indústria. Então, se isso não for combinado com uma política nacional de investimento, os estados fora do Sudeste sofrerão muito para conseguir atrair novas empresas”, completou o petista.
Rui Costa ocupou o governo do Estado da Bahia entre 2015 e 2022 e comandou a Casa Civil da Presidência da República entre 2023 e 2025, antes de se licenciar para concorrer a uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. O candidato disputa o Senado Federal ao lado de Jaques Wagner (PT), em chapa liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no plano nacional e, na Bahia, pelo governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT).