ACM Neto promete acabar com indicação política na regulação e propõe Pix Saúde para agilizar exames
ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou, nesta segunda-feira (21), que pretende eliminar a indicação política como critério para acesso a vagas no sistema de regulação da saúde, caso seja eleito. A declaração foi dada durante entrevista ao Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias, em que o candidato apresentou propostas para a área e criticou o funcionamento atual da regulação no estado.
Segundo Neto, o objetivo é substituir o chamado “QI”, expressão usada por ele para se referir ao critério de “quem indicou”, por um sistema baseado em critérios técnicos, transparência e acompanhamento dos pacientes. A proposta, de acordo com o candidato, também prevê maior descentralização do processo e uso de tecnologia.
“Você pode ter uma regulação que funcione, uma coisa é essencial e essa eu vou acabar, o QI. Porque hoje o que funciona é o QI, é ‘quem indicou’. Então, se é deputado federal, deputado estadual ou aliado do governador consegue acesso à Secretaria de Saúde, fala com alguém na secretaria e resolve a vaga”, declarou.
Na avaliação de ACM Neto, o modelo atual criaria uma diferença de acesso entre pessoas que possuem contatos políticos e cidadãos que não têm esse tipo de interlocução.
“Então, eu vou acabar com o QI. Não vai haver indicação política na regulação. Vai tudo ser feito com transparência de maneira técnica, descentralizada e com um sistema que funcione”, afirmou.
ACM Neto critica fila da regulação na Bahia
Durante a entrevista, o candidato também voltou a criticar a situação da fila da regulação no estado e associou o problema à gestão do governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT). Neto citou uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) que identificou aumento de 213% no tempo médio de espera entre os períodos analisados de 2019 e 2024. Segundo os dados divulgados a partir da auditoria, a média estadual passou de 1,5 dia para 4,7 dias.
O levantamento também apontou aumentos em diferentes especialidades. Na cirurgia torácica, por exemplo, o tempo médio passou de 4 para 10,4 dias. Em hematologia, subiu de 4,7 para 7,8 dias, enquanto a espera em oncologia passou de 5,2 para 6,7 dias. Ao comentar os números, ACM Neto afirmou que a situação contradiz a promessa feita por Jerônimo durante a campanha anterior de resolver o problema da regulação.
“Infelizmente, as coisas só pioraram. Jerônimo há quatro anos prometeu acabar com a fila da regulação, está no discurso dele, nas entrevistas que ele deu, e não foi o que aconteceu”, declarou.
PIX Saúde é apresentado como alternativa para casos de urgência
A fila da regulação foi apontada por ACM Neto como um dos principais problemas da saúde pública baiana. O candidato criticou a promessa feita pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) de zerar a fila e afirmou que o problema permanece. Como alternativa, ACM Neto apresentou o Pix Saúde, mecanismo que, segundo ele, permitiria ao Estado custear o tratamento de pacientes em hospitais particulares quando não houver leito disponível na rede pública.
A prioridade, de acordo com a proposta, continuaria sendo o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A utilização da rede privada ocorreria em situações consideradas críticas, principalmente casos de urgência e emergência em que o paciente esteja em risco de morte.
Na ocasião, Neta também rebateu a afirmação do petista de que a proposta do Pix Saúde representaria uma “privatização” do sistema de saúde. A declaração de Jerônimo ocorreu durante sabatina na TV Bahia. O candidato rejeitou a comparação e afirmou que a proposta busca utilizar a rede privada apenas quando o serviço público não tiver capacidade de atender determinado paciente.
Para defender a necessidade da medida, ACM Neto relatou uma situação que, segundo ele, teria sido contada durante uma agenda política em Cícero Dantas. De acordo com o candidato, uma pessoa teria relatado que a regulação entrou em contato com uma mulher de Jeremoabo para informar sobre a existência de uma vaga, mesmo ela tendo morrido seis anos antes.
“Tem que ter estratégia, tem que ter gestão, tem que priorizar a saúde e o caminho do Pix Saúde, é o quê? É você comprar a vaga no hospital particular quando não houver a vaga na rede pública. A prioridade é o hospital público, mas se não houver a vaga no hospital público, nós vamos ajudar a pagar o tratamento no hospital particular para salvar a vida das pessoas”, rebateu Neto.
O candidato afirmou que o modelo teria mecanismos de controle e fiscalização. Segundo ele, hospitais particulares seriam credenciados e remunerados de acordo com serviços prestados, com acompanhamento do Tribunal de Contas e fiscalização do Ministério Público.
ACM Neto citou como referência uma iniciativa existente em São Paulo, onde, segundo ele, hospitais são credenciados e os serviços são remunerados por meio de uma tabela específica. A proposta para a Bahia seguiria lógica semelhante, com ampliação da quantidade de unidades credenciadas e definição de uma remuneração considerada adequada pelo candidato.
Proposta prevê acompanhamento do paciente
Além da promessa de eliminar indicações políticas, ACM Neto defendeu que o sistema tenha mecanismos para acompanhar cada solicitação ao longo do atendimento. A ideia apresentada pelo candidato é utilizar tecnologia para permitir que o processo seja monitorado desde a entrada do pedido até a conclusão do tratamento. A proposta inclui ainda a descentralização da regulação, com profissionais qualificados para analisar as demandas e buscar vagas de acordo com critérios técnicos. O candidato afirmou que pretende utilizar experiências já adotadas em outros estados como referência para a formulação do modelo baiano.
A regulação da saúde é um dos temas recorrentes da campanha eleitoral na Bahia. Além das críticas ao atual funcionamento do sistema, candidatos têm apresentado diferentes propostas para reduzir o tempo de espera e ampliar a oferta de atendimento. No caso de ACM Neto, a promessa apresentada nesta segunda-feira (21) combina mudança nos critérios de acesso às vagas, ampliação do uso de tecnologia e acompanhamento dos pacientes, tendo como uma das referências citadas o modelo de São Paulo.
Jerônimo atribui crise na regulação à sobrecarga do SUS e cobra atuação dos municípios na saúde
O governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), atribuiu, nesta terça-feira (18), a pressão sobre a regulação da saúde na Bahia ao aumento da demanda por exames, consultas e procedimentos de maior complexidade. Durante sabatina realizada pelo Grupo A Tarde, o petista relacionou parte desse crescimento ao envelhecimento da população e à maior conscientização dos cidadãos sobre o direito de acessar serviços públicos de saúde.
Ele também defendeu uma atuação conjunta entre Estado e municípios para ampliar a oferta de atendimento e reduzir a sobrecarga nos hospitais. Ao comentar a permanência das filas da regulação de saúde, Jerônimo Rodrigues afirmou que a saúde aparece entre as principais demandas da população brasileira. Segundo o governador, o aumento da expectativa de vida pode contribuir para uma maior procura por serviços médicos e exames.
“Eu vi uma pesquisa ontem em um dos jornais nacionais desses aí, que mostra que a principal expectativa dos eleitores é a saúde. No Brasil inteiro é a reivindicação disso. Eu não aprofundei os estudos, mas é possível que seja pelo envelhecimento da população, e graças a Deus a gente está vivendo mais e exige mais da gente”.
O governador também destacou que a ampliação do acesso à informação contribuiu para que mais pessoas passassem a procurar exames e procedimentos preventivos. Na avaliação apresentada por Jerônimo, a população atualmente conhece melhor os serviços aos quais tem direito dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). “É porque o Sistema Único de Saúde, o SUS, ele tem competência, muita competência para atender, sei lá, na Bahia, mais de 80% dos baianos usam o sistema único de saúde. Isso é por conta da consciência, inclusive de vocês, jornalistas, que esclarece à população que nós temos direito a fazer exames”, concluiu.
Prevenção também amplia procura por atendimento
Para exemplificar o crescimento da demanda, Jerônimo comparou o acesso atual a exames preventivos com a realidade vivida por gerações anteriores. Ele afirmou que mulheres mais velhas passaram a ter maior acesso a exames de acompanhamento e prevenção de doenças.
“Compare uma mulher de 70 anos com uma jovem. O que é que essas mulheres de hoje têm que fazem todos os preventivos e pegar as avós da gente, quantos preventivos nossas avós fizeram? Preventivo é um exame simples, fazer um toque no corpo para entender quais são as possíveis doenças que poderão vir, um exame de meia hora, de 40 minutos, mas nós não tínhamos isso. Estamos trazendo essa população toda, para dizer se você tem direito”.
Segundo o governador, esse cenário produz uma demanda maior sobre a rede pública. A avaliação é que o crescimento do número de pessoas que buscam atendimento precisa ser acompanhado pela ampliação e organização da estrutura disponível.
Governador cita sobrecarga em hospitais de alta complexidade
O candidato também apontou a chegada de pacientes aos hospitais de alta complexidade como um dos fatores que contribuem para a pressão sobre o sistema. Ele defendeu que parte dos casos deveria ser resolvida em unidades de atendimento básico e intermediário, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
“Precisamos melhorar, precisamos sim. Agora tem uma situação, o sistema de saúde é igual ao corpo humano da gente. Temos aqui peças aqui dentro, o estômago, intestino coração, fígado. Se uma dessas peças não andar bem, o corpo inteiro padece. Se o SUS, a prefeitura não fizer seu papel, o Estado vai sobrecarregar com a fila”
Na sequência, o governador estimou que uma parcela elevada dos atendimentos que chegam aos hospitais de maior complexidade poderia ser solucionada em outras portas da rede. “Chega a casa de 80%, 90% dos casos que chegam a um hospital de alta complexidade, era para ser tratado numa UPA, numa UBS”, afirma o candidato.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre os gargalos da regulação, especialmente em procedimentos que dependem de encaminhamento para unidades especializadas. A demora para cirurgias e exames de alta complexidade é apontada como uma das dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam atendimento pela rede pública.
Jerônimo cobra hospitais municipais para reduzir filas
Ao abordar a descentralização do atendimento, Jerônimo Rodrigues voltou a defender a ampliação da estrutura hospitalar mantida pelos municípios. O governador citou cidades de grande porte, incluindo Feira de Santana, Vitória da Conquista e Salvador, para argumentar que a rede municipal também precisa participar da oferta de serviços hospitalares.
“Você imagina, Feira de Santana, o primeiro município do interior não tem um hospital municipal. Quando alguém adoece, ele vai para onde? Se não tem uma porta de hospital. Conquista não tem hospital municipal. Salvador não tem hospital suficiente para atender a população. Eles não fazem e querem cobrar que o Estado faça? O Estado está fazendo, vai continuar fazendo, mas vou estender a mão para poder, assim, o prefeito vem cá que a gente vai construir esse hospital municipal”.
A avaliação apresentada pelo governador é que a ausência de unidades municipais em determinadas cidades aumenta a procura por hospitais estaduais. Com isso, pacientes de diferentes municípios acabam sendo encaminhados para unidades de referência localizadas em cidades maiores, ampliando a pressão sobre a capacidade de atendimento.
Jerônimo relatou ainda um episódio contado por um prefeito da região da Bacia do Jacuípe para ilustrar as dificuldades enfrentadas no deslocamento de pacientes para unidades de referência.
“Então, tem uma demanda maior. Ontem eu ouvi um depoimento de um prefeito, ele dizia: ‘governador, eu sou prefeito, mas eu fui secretário de Transporte. Ele é da Bacia do Jacuípe, ele diz assim ‘eu cansei de liberar uma ambulância para poder levar alguém do meu município para o Clériston Andrade em Feira ou para o Hospital Geral do Estado em Salvador e essa ambulância ficava lá às vezes um dia, dois dias. A pessoa dentro do carro esperando dois dias, três dias quando vinham para cá, não tinha regulação”.