O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Senado, que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destaca que o país está “no meio de um ciclo eleitoral”.
A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e poucos dias depois de Rubio anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante a audiência, Rubio afirmou que o Ocidente conta atualmente com uma coalizão de países alinhados aos Estados Unidos, que trabalham em conjunto não apenas em questões de segurança, mas também na promoção da prosperidade econômica.
O secretário não detalhou quais países integrariam essa coalizão. Neste ano, porém, o governo Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. Diversos líderes da região foram convidados a participar, mas países considerados desalinhados politicamente de Washington, como Brasil, Colômbia e México, ficaram de fora do encontro.
O Departamento de Estado também promoveu, em Washington, um evento voltado à cooperação em minerais críticos, reunindo governos da região para discutir acordos estratégicos com os EUA.
Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, “com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos”.
O secretário acrescentou que Washington precisa transformar esse alinhamento em ações concretas após “20 anos de negligência”, período em que, segundo ele, China e outras potências ampliaram sua influência na região, prejudicando não apenas os interesses americanos, mas também os próprios países latino-americanos.
A sugestão de novas tarifas contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a nova proposta contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade à América Latina durante evento também nesta terça-feira.
“Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”, afirmou Lula. O presidente também disse já ter manifestado a Donald Trump a percepção de que o republicano não gosta do Brasil. “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump”, declarou.
Lula associa tarifaço dos EUA a Flávio Bolsonaro e o chama de imbecil e traidor da pátria
O presidente Lula (PT) lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu provável adversário nas eleições de outubro, de agir como um traidor da pátria.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, disse Lula nesta terça-feira (2) em Catalão (GO).
Em discurso, o presidente destacou as negociações que o Executivo tem mantido com o governo Donald Trump desde o ano passado e afirmou que a proposta de um novo tarifaço acontece dias depois de Flávio Bolsonaro ter se reunido com Marco Rúbio, secretário de Estado dos EUA.
Na sequência, chamou a família de Jair Bolsonaro (PL) de “família metralha”, referiu-se aos filhos do ex-presidente como “os meninos do Bolsonaro” e os acusou de atuar contra os interesses nacionais. Disse ainda que Flávio “foi pedir arrego” a Trump em uma tentativa de prejudicá-lo para as eleições.
“Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, afirmou.
Nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pediu “expressamente” para que Trump não aplicasse uma tarifa sobre as empresas brasileiras.
Lula, por sua vez, lembrou que o filho do ex-presidente celebrou o tarifaço sobre produtos brasileiros adotado no ano passado: “No dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump nos puniu, ele disse: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo.'”
A proposta de um novo tarifaço acontece após o governo Trump concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que apontou práticas comerciais injustas do Brasil.
Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.
Em Goiás, Lula participou das inaugurações do novo campus do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão.
Com a investimento de R$ 6,5 milhões em recursos do Novo PAC , o IF Goiano passa a sede definitiva em Catalão, que substitui o imóvel alugado onde o instituto funcionava. A nova sede inclui laboratórios como os de tratamento mineral e de robótica.
O Hospital Universitário teve investimento de R$ 27 milhões e vai atuar na média e alta complexidade no SUS, com capacidade de atender cerca de 1,5 milhão de pessoas na região. A unidade de saúde atua na formação de profissionais de saúde nas áreas de medicina, enfermagem e psicologia.