O Ilê Axé Loba’Nekun, um dos terreiros mais antigos e respeitados do Recôncavo Baiano, será beneficiado com um projeto voltado à sua preservação física e valorização cultural. Fundado em 1914 no município de Cachoeira, o espaço é símbolo da resistência da tradição Nagô e da continuidade de práticas religiosas e culturais de matriz africana na Bahia.
O projeto “Ilê Axé Loba’Nekun – Memória e Preservação da Raiz Ancestral Nagô” contempla reforma, ampliação e adaptação do terreiro, assegurando condições de conservação, segurança e acessibilidade para públicos diversos.
A iniciativa foi contemplada pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com financiamento do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-BA), e do Ministério da Cultura, vinculado ao Governo Federal. O apoio viabiliza a realização de uma série de ações estruturais e formativas no terreiro, com o objetivo de preservar e fortalecer seu papel como guardião da memória ancestral afro-brasileira.
Legado de resistência e transmissão de saberes
Com mais de um século de existência, o Ilê Axé Loba’Nekun carrega uma trajetória marcada pela espiritualidade, devoção e pela luta contra o apagamento das culturas negras no Brasil. Fundado por Miguel Ângelo Barreto e Maria da Natividade, o terreiro tornou-se referência no Candomblé Nagô e em práticas comunitárias que promovem a valorização das raízes africanas.
Ao longo dos anos, o espaço firmou-se não apenas como um centro religioso, mas também como território de educação informal e socialização de saberes tradicionais. A sua importância histórica e cultural é reconhecida tanto por estudiosos quanto por lideranças dos movimentos negros e religiosos.
Ações previstas no projeto de requalificação
O projeto “Memória e Preservação da Raiz Ancestral Nagô” prevê intervenções que vão desde melhorias físicas até a ampliação da atuação sociocultural do terreiro. Entre as principais ações, estão:
Restauração da estrutura física do terreiro, garantindo durabilidade e segurança;
Instalação de sistema de segurança patrimonial, protegendo o acervo material e imaterial;
Adaptação para acessibilidade universal, atendendo pessoas com deficiência e mobilidade reduzida;
Ampliação de espaços para atividades religiosas, culturais e formativas.
Essas medidas visam manter o terreiro como um local de referência não apenas para os praticantes do candomblé, mas também para pesquisadores, estudantes e visitantes interessados nas culturas afro-brasileiras.