Fecomércio-BA vê alívio para economia baiana após EUA pouparem produtos estratégicos de tarifaço

A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros continua gerando preocupação entre empresários e representantes do setor produtivo. Embora uma ampla lista de exceções tenha reduzido os impactos esperados para a economia baiana, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) avalia que ainda existem riscos para a competitividade das empresas, os investimentos, a geração de empregos e a renda.

Segundo a entidade, a exclusão de produtos considerados estratégicos, como café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves, derivados de petróleo e diversos insumos industriais, ameniza parte dos efeitos inicialmente previstos. Ainda assim, segmentos que permanecem sujeitos à nova tarifa poderão enfrentar dificuldades para manter espaço no mercado norte-americano, afetando diferentes cadeias produtivas da Bahia. O tema também mobiliza o governo federal.

Na quarta-feira (22), a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a terceira fase do Plano Brasil Soberano, que contará com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito destinadas a empresas e setores impactados pelas tarifas. O programa foi apresentado no Palácio do Planalto após dois dias de reuniões entre representantes do governo federal e do setor privado nacional.

Fecomércio avalia que exceções diminuem impactos na Bahia

Na avaliação da Fecomércio-BA, a lista de produtos excluídos da nova tarifa demonstra uma preocupação do governo norte-americano em preservar setores estratégicos de sua própria economia, evitando impactos sobre cadeias produtivas e sobre os preços internos dos Estados Unidos. Para a Bahia, a manutenção da isenção para produtos relevantes da pauta exportadora reduz parte dos prejuízos esperados, especialmente porque diversos itens produzidos no estado ficaram fora da tributação adicional.

Conforme o presidente da Fecomércio-BAKelsor Fernandes, o cenário ficou menos desfavorável, mas exige atenção diante das incertezas que ainda cercam as relações comerciais entre os dois países.

“A exclusão de produtos relevantes para a economia baiana reduz parte dos riscos inicialmente previstos. Isso é positivo. No entanto, não podemos desconsiderar os segmentos que continuam sujeitos à tarifa e que poderão perder competitividade no mercado norte-americano. Uma eventual redução das exportações pode repercutir sobre produção, investimentos, geração de empregos e renda e, consequentemente, alcançar outros setores da nossa economia”, apontou.

Comércio e serviços podem sentir efeitos indiretos

Embora o comércio, os serviços e o turismo não estejam diretamente entre os setores atingidos pela nova tarifa, a entidade avalia que os impactos poderão chegar de forma indireta. Caso empresas exportadoras reduzam produção, investimentos ou contratações, o reflexo pode ser percebido na diminuição da renda das famílias e, consequentemente, na desaceleração do consumo, afetando diferentes segmentos do setor terciário. O consultor econômico do Sistema Comércio Bahia, Guilherme Dietze, explica que os efeitos dependerão da intensidade das perdas registradas nas cadeias exportadoras.

“Os impactos sobre o comércio e os serviços tendem a ocorrer de maneira indireta e dependerão da dimensão das perdas nos setores efetivamente atingidos. Se houver redução da produção, dos investimentos ou do emprego nas cadeias exportadoras, parte desses efeitos poderá chegar ao consumo e à atividade do setor terciário. Para o consumidor baiano, entretanto, não se espera, neste momento, impacto significativo sobre os preços decorrente exclusivamente dessa medida”, disse.

Fecomércio defende previsibilidade nas relações comerciais

Mesmo reconhecendo que a ampliação das exceções reduziu significativamente os impactos inicialmente projetados, a Fecomércio-BA considera que mudanças unilaterais nas regras do comércio internacional aumentam a insegurança para empresas que atuam no mercado externo.

Segundo a entidade, relações comerciais estáveis dependem de previsibilidade, segurança jurídica e regras claras para que empresas possam planejar investimentos de longo prazo, preservar empregos e ampliar sua participação no comércio internacional.

A federação informou que continuará acompanhando os desdobramentos da medida e seus reflexos sobre a economia baiana, especialmente nos segmentos de comércio, serviços e turismo.

Brasil estima impacto sobre parte das exportações

De acordo com o governo federal, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos deverão ser atingidas pela nova tarifa, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões, considerando os dados de 2024.

Mesmo assim, o Executivo avalia que a extensa lista de produtos isentos reduz significativamente os impactos sobre diversos setores estratégicos da economia brasileira.

Além das medidas de apoio financeiro, o governo informou que instituições como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) atuarão para ampliar mercados internacionais e buscar novas oportunidades comerciais para as empresas brasileiras.

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