Filme sobre Samba Chula de São Braz está disponível no You Tube

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O santoamarense mestre João do Boi acaba de ganhar um documentário retratando sua vida e obra. O gritador de chula conta, através das lembranças, a relação com o samba chula, uma das matrizes do samba de roda do Recôncavo Baiano.

O filme João do Boi Gritador de Chula, dirigido por Fidelis Melo, já está disponível para ser assistido no YouTube. O músico conta um pouco da sua trajetória de vida, passando pelos dias como vaqueiro e, principalmente, como sambador. O projeto foi 100% filmado em São Braz, comunidade quilombola de Santo Amaro (BA), onde João reside desde jovem.

“Eu estou desenvolvendo uma dissertação em ciência da informação, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), sobre a produção de João do Boi. Já venho trabalhando com ele, produzindo e pesquisando, há algum tempo. Após inscrição e aprovação do projeto na Lei Aldir Blanc, precisávamos desenvolver um produto”, relata Fidelis Melo, diretor do filme.

 

Talvez por ser menos conhecida, ou menos popular, nem todos sabem como é a tradição do estilo precursor do samba como conhecemos hoje, a chula. Nas palavras do próprio João do Boi, o samba chula “é mais potente, mas é mais amarrado. O samba corrido é um samba solto, com pandeiro, tambor pra todo lado e a chula não. É realidade. É mais acomodado. Quando a gente tá gritando a chula, as mulheres ficam só nas palmas. Enquanto a gente estivar gritando, as mulheres não entram para sambar. Quando a gente acaba, que tem o relativo, aí tá liberado. Aí depois, elas esperam a gente gritar a chula de novo pra voltar”, explica o mestre.

Fidelis também compartilha sua própria visão sobre essa antiga tradição musical do Recôncavo Baiano.

“Como diria o saudoso Riachão (1921-2020), a chula é o samba antes do samba. Na época da escravidão, quando os negros tinham permissão de comemorar alguma coisa, era através do samba, do batuque, que eles festejavam. Essas festas aconteciam, geralmente, no mesmo período das festas católicas. Quando, na missa, se rezava em louvor a Santa Bárbara, se fazia reverências a Iansã, ou outras representações, a depender da matriz africana. E depois da reza, havia a dança”, contextualiza Fidelis.

Tradição que existe desde os tempos da escravatura no Brasil, a chula ainda é comum nos sambas tradicionais do Recôncavo.

“A chula era um canto pós-litúrgico e antes do profano. É um canto gritado em que o mestre fala as estrofes de uma chula, e em resposta tem o relativo, que é alguma coisa que você vai falar que faz referência à chula”, acrescenta Melo.

Sempre há uma pessoa gritando a chula, enquanto outra está designada a responder com o relativo. “Você não vai ver o João do Boi cantando outra coisa, se não o grito da chula e o relativo”, finaliza Fidelis.

O filme está disponível no canal do YouTube: Samba Chula João do Boi. E Lembrem de nunca dançar enquanto gritam a chula.

Atarde

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