Jerônimo Rodrigues diz que ‘não é papel do Estado matar’ e defende política de segurança com respeito aos direitos humanos

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou, nesta segunda-feira (3), que “não é papel do Estado matar”, em referência à megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos. Durante evento de abertura do Mês Nacional do Júri e da Semana Nacional de Conciliação, realizada no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o petista defendeu que a segurança pública deve ser pautada na prevenção, no diálogo e na proteção da vida, criticando práticas que resultam em letalidade estatal.

“Não é papel do Estado matar e nunca será. O Estado tem uma responsabilidade muito maior do que transformar homens e mulheres em sangue. A dívida social desse país é muito grande”, declarou Jerônimo.

Jerônimo cobra ação coordenada e política de prevenção

Em seu discurso, Jerônimo afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer de forma coordenada, com integração entre Executivo, Judiciário e Ministério Público. Para ele, a violência só será reduzida com ações sociais e políticas de prevenção que alcancem os territórios mais vulneráveis.

“Se o crime organizado ocupa espaços onde não deveria ocupar, proibindo brasileiros de irem e virem, é responsabilidade nossa enfrentá-lo de forma coordenada e com respeito aos direitos humanos”, completou o governador.

Na última quarta-feira (29), Jerônimo também se manifestou contra a operação. Na ocasião, o petista enfatizou que o modelo de enfrentamento adotado no Rio “não serve” para o que a Bahia pretende implementar.

Bahia é o segundo estado com maior letalidade policial

Apesar da fala do governador Jerônimo Rodrigues, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados em julho deste ano, mostram que a Bahia é o segundo estado com maior número de mortes causadas por ações policiais, atrás apenas do Amapá. Foram 1.553 mortes em 2024, uma ligeira redução em relação ao ano anterior, mas que mantém o estado no topo do ranking nacional.

O levantamento também mostrou que Salvador lidera entre as capitais brasileiras em mortes decorrentes de intervenção policial, com 420 registros. No ranking geral, Santo Antônio de Jesus aparece em primeiro lugar nacional em letalidade policial, seguido por Eunápolis, Jequié, Porto Seguro e Lauro de Freitas, todas cidades baianas.

O Anuário também revelou que Salvador é a capital mais violenta do Brasil, com uma taxa de 52 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2024, somando 1.335 ocorrências.

Jerônimo defende integração e fortalecimento das ações de Justiça

Durante o evento, que contou com a participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Edson Fachin, Jerônimo também reforçou o compromisso da Bahia com a integração entre os poderes e o fortalecimento das ações de Justiça e cidadania.

“A Bahia tem atuado de forma integrada com o Sistema de Justiça, valorizando o papel do diálogo e da responsabilidade conjunta na defesa dos direitos e da democracia. Uma união de esforços de aproximação com a sociedade, que mostra a eficiência e a capacidade da Justiça baiana contra a impunidade”, declarou.

Fachin defende celeridade da Justiça e esforço coletivo

Durante o encontro, Fachin destacou o compromisso do Judiciário com a celeridade processual e o julgamento de crimes dolosos contra a vida. Segundo ele, o mutirão nacional prevê que 2 mil casos sejam julgados na Bahia apenas em novembro, como parte de uma mobilização que une STF, CNJ e tribunais estaduais.

“A Justiça só alcança todo o seu propósito quando caminha ao lado das demais instituições do Estado. O Mês Nacional do Júri simboliza esse esforço coletivo em favor da vida, da verdade e da justiça, através da celeridade processual e julgamentos em tempo hábil”, afirmou o ministro.

Jerônimo Rodrigues afirma que ‘não é papel do Estado matar’ e defende integração entre poderes na política de segurança

Já a presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargadora Cynthia Maria Pina Resende celebrou o avanço das ações do TJ-BA e ressaltou que o aumento das sessões do júri tem contribuído para reduzir a impunidade e ampliar o acesso à Justiça no estado.

“A Bahia já realizou quase 1,5 mil sessões de júri em 2025, número que demonstra o empenho do TJ-BA e das instituições parceiras na promoção da justiça e na redução da impunidade em crimes contra a vida”, destacou.

Bahia busca integração e transparência na segurança

O secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner, destacou durante o evento a importância da integração entre o Judiciário e a SSP-BA no enfrentamento às facções criminosas e na troca de informações sobre pessoas procuradas e processos criminais.

“Essa é mais uma ação de integração e compartilhamento de dados, especialmente no enfrentamento às facções. O fortalecimento e a celeridade do processo criminal somam-se às ações da Secretaria para reduzir as mortes violentas”, explicou Werner.

As atividades do Mês Nacional do Júri continuam durante todo o mês de novembro, com transmissões ao vivo das sessões em cidades como Valença, Porto Seguro e Feira de Santana, promovendo transparência e participação social no sistema de Justiça.

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