Operação no RJ prende operadora financeira de facção baiana; líder foge por passagem secreta

Uma megaoperação deflagrada, nesta segunda-feira (20), na comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro, desferiu um golpe na estrutura financeira da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), mas expôs a sofisticação da rede de proteção aos líderes criminosos da Bahia. A Operação Duas Rosas II, coordenada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), resultou na prisão de Núbia Santos Oliveira, apontada como uma das principais operadoras financeiras da organização e esposa do líder “Patola”.

O principal alvo, Ednaldo Pereira Souza, o “Dadá”, conseguiu escapar por uma passagem secreta tão estreita que impediu a entrada de policiais fardados. O caso ganha contornos de escândalo político com a delação da ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, sobre a fuga de Dadá em 2024. Ela afirma que foi facilitada mediante o pagamento de R$ 2 milhões ao ex-deputado federal Uldurico Junior (PSDB), citando ainda o nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) como destinatário de parte da propina — acusação que o cacique emedebista nega com “profunda indignação”.

Cerco no Vidigal e fuga de ‘Dadá’

A operação desta manhã visava capturar 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024. A investigação aponta que esses criminosos buscaram refúgio no Rio de Janeiro sob a proteção do Comando Vermelho, instalando-se em comunidades como a Rocinha. O traficante “Dadá”, que controla o tráfico nas regiões turísticas de Caraíva e Trancoso, no Extremo-sul baiano, aproveitou o feriadão de Tiradentes para alugar uma casa no Vidigal para uma festa com familiares.

Monitorado pelo MP baiano, ele foi surpreendido pela Polícia Civil carioca, mas utilizou uma estratégia de fuga planejada: uma passagem secreta na residência. Enquanto ele escapava, sua aliada Núbia Oliveira foi detida. Ela possuía mandados em aberto por homicídio e tráfico, sendo peça-chave na lavagem de dinheiro do PCE.

Delação premiada e conexão política

O desdobramento mais sensível da operação reside na delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio de Eunápolis. Ela detalhou um esquema de “fuga facilitada” que teria custado milhões à facção criminosa.

De acordo com Joneuma, o ex-deputado federal Uldurico Junior — que foi preso na semana passada — teria negociado o valor de R$ 2 milhões para garantir a saída de Dadá e outros 15 detentos. A ex-diretora, que confessou ter mantido um relacionamento amoroso com o traficante e também com o parlamentar, afirmou que Uldurico se referia ao ex-ministro Geddel Vieira Lima como o “chefe” que receberia R$ 1 milhão da transação para garantir proteção política.

Reações e defesas

As citações na delação provocaram reações imediatas entre as lideranças políticas citadas:

  • Geddel Vieira Lima (MDB): O ex-ministro negou qualquer participação e afirmou que Uldurico Junior usou seu nome de forma “leviana” para acalmar a cúmplice. Geddel ressaltou que o inquérito mostra depósitos via PIX para familiares de Uldurico e outros vereadores, sem qualquer menção financeira a ele.
  • Uldurico Junior (PSDB): Sua defesa nega veementemente as acusações de Joneuma, classificando-as como infundadas. O ex-parlamentar segue preso enquanto as investigações sobre o domínio do tráfico dentro do presídio avançam.
  • Ministério Público (MP-BA): As autoridades garantem que o monitoramento é permanente e que o foco agora é rastrear o paradeiro de Dadá no Rio de Janeiro e identificar outros agentes públicos que possam ter colaborado com a expansão da facção no Extremo-sul do Estado

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