A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quinta-feira (11), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses pela trama golpista.
Por 4 votos a 1, o STF decidiu que Bolsonaro é responsável por todos os cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ligados aos atos golpistas que buscaram derrubar a democracia e impedir a posse de Lula como presidente.
A condenação de Bolsonaro repercutiu na imprensa internacional. Confira um resumo:
The New York Times: avaliou que a condenação deve intensificar o conflito entre Brasil e Estados Unidos.
Reuters: destacou que Bolsonaro é o primeiro ex-presidente condenado por atentado à democracia.
The Guardian: disse que ele pode pegar décadas de prisão por liderar a conspiração.
Washington Post: afirmou que defesa do ex-presidente vai recorrer.
Wall Street Journal: afirmou que a condenação deve inflamar a disputa entre Trump e Lula.
Bloomberg: ressaltou que Bolsonaro acusa o STF de perseguição política.
The Economist: lembrou fala do ex-presidente feita em 2022 e disse que o julgamento mostrou que “ele estava errado”.
El País: avaliou que o Brasil deu um passo importante contra a impunidade.
BBC: explicou que o plano golpista culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Clarín: afirmou que o julgamento de Bolsonaro é “histórico”.
Trump se diz surpreso e secretário afirma que EUA darão resposta à altura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, se pronunciaram após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada nesta quinta-feira (11) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Questionado sobre o resultado do julgamento no Brasil, Trump, no jardim da Casa Branca, afirmou conhecer bem Bolsonaro e classificou a decisão como “surpreendente”, comparando o caso à situação que enfrentou após os tumultos do 6 de janeiro de 2021 em Washington, D.C.
“Como líder estrangeiro, acho que ele foi um bom presidente. É muito surpreendente que isso possa acontecer”, disse Trump. “É muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram de jeito nenhum”, acrescentou.
O presidente americano já havia criticado o Brasil e o governo Lula, chamando o julgamento de “caça às bruxas” em relação à tentativa de golpe de Estado atribuída a Bolsonaro.
Trump vê semelhança entre os casos porque se tornou réu, alvo de uma ação penal nos EUA, em agosto de 2023, acusado de tentar subverter as eleições de 2020.
Em novembro de 2024, porém, após a eleição do republicano, o procurador especial Jack Smith pediu o arquivamento do caso. A decisão foi baseada no entendimento de que não se pode processar presidentes em exercício.
Em retaliação, Trump determinou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, aplicou sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e revogou vistos de grande parte dos integrantes da Corte. O líder americano ainda recorreu à Lei Magnitsky contra Moraes, afirmando que ele é “tóxico para todas as empresas legítimas e indivíduos que buscam acesso aos Estados Unidos e seus mercados”.
Aliados de Bolsonaro esperam novas sanções a autoridades brasileiras —do Supremo e do governo federal— diante da condenação do ex-presidente. Estão no radar dos americanos restringir o visto de mais autoridades brasileiras e aplicar mais punições financeiras. Há ainda conversas sobre suspender algumas das 700 exceções dadas pelo governo americano na aplicação de 50% das tarifas a produtos importados do Brasil.
O governo Trump suspendeu a entrada nos EUA de Moraes e outros sete ministros do STF: Luis Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flavio Dino, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. O PGR (Procurador-Geral da República), Paulo Gonet, também teve o visto suspenso.
Os EUA cancelaram ainda o visto da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em uma suposta retaliação ao Programa Mais Médicos.
Com o fim do julgamento, novas medidas de retaliação estão previstas por parte do governo americano.
Marco Rubio também se pronunciou
Em postagem na rede social X (antigo Twitter), Marco Rubio classificou o processo contra Bolsonaro de “caça às bruxas”.
“As perseguições políticas pelo violador de direitos humanos e alvo de sanções Alexandre de Moraes continuam, enquanto ele e outros no Supremo Tribunal do Brasil decidiram injustamente prender o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos darão resposta à altura a essa caça às bruxas”, afirmou o secretário dos EUA.