Bolsonaro interrompe trégua e retoma ataques ao sistema eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a questionar neste sábado (12) a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Ao mais uma vez criar a sua versão dos fatos, o chefe do Executivo afirmou que as Forças Armadas levantaram “dezenas de dúvidas” sobre o sistema, que não foram respondidas dentro do prazo pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Bolsonaro concedeu entrevista na manhã deste sábado (12) à rádio Tupi de Campos dos Goytacazes (RJ). O entrevistador foi o ex-governador Anthony Garotinho, que levou uma conversa cordial, ao abordar apenas temas de interesse de Bolsonaro e abrir margem para ele discorrer sobre as realizações de seu governo.

O apresentador do programa questionou o presidente sobre a visão dele sobre a diferença entre a sua posição nas pesquisas de intenção de votos e a popularidade que ele verifica em suas viagens pelo país.

Bolsonaro então criticou os institutos de pesquisa e aproveitou para novamente criticar o sistema eleitoral brasileiro. Disse ver com “preocupação” a situação e disse que o sistema não é da “confiança de todos nós”.
“E agora a gente vê com preocupação. Não quero entrar em detalhes, mas temos um sistema eleitoral que não é de confiança de todos nós ainda.”

“A máquina, tudo bem, a máquina não mente. Mas quem opera é um ser humano. Então ainda existem muitas dúvidas no tocante a isso e a gente espera que nos próximos dias a gente tire essa dúvida”, afirmou o presidente da República.

Assim como já havia feito em sua live na última quinta-feira, Bolsonaro voltou a afirmar que as Forças Armadas levantaram “dúvidas” sobre o sistema eleitoral. Acrescentou que pedidos de esclarecimentos foram enviados ao TSE e que “nada responderam”.

Afirmou ainda que o ministro Walter Braga Netto (Defesa) vai procurar o presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, para cobrar as informações que foram solicitadas pelo “nosso pessoal da guerra cibernética”.

Em segundo lugar nas pesquisas, diante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro ignora os fatos ao tentar colocar em conflito Forças Armadas e TSE.
Os militares mais uma vez fazem parte de um grupo de apoio da Justiça Eleitoral e enviou ainda no ano passado uma série de questões para que o TSE pudesse aprofundar sobre urnas e contagem dos votos.

O Judiciário entrou em recesso, retomou os trabalhos na semana passada e irá responder às questões nos próximos dias.

Na entrevista deste sábado, o presidente da República também reforçou que as Forças Armadas foram convidadas para integrar a comissão de acompanhamento das eleições. Disse que o governo vai “participar da primeira à última fase, do código-fonte à sala secreta”.

“Eu posso adiantar para você que o presidente do TSE, ministro Barroso, convidou várias instituições para participar das eleições do corrente ano. As Forças Armadas foram convidadas e eu sou o chefe supremo das forças armadas. Então nós aceitamos e vamos participar da primeira à última fase, do código-fonte à sala secreta.

A nova onda de críticas ao TSE havia começado na quinta-feira, durante transmissão ao vivo na internet. Bolsonaro havia dito esperar “eleições limpas”, mas que as Forças Armadas haviam apontado “dezenas de vulnerabilidades” no sistema eleitoral.

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