Não há ameaça real, diz Barroso sobre eleição e democracia

Após dois anos, o ministro Luís Roberto Barroso deixará a presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na próxima terça-feira, 22, deixando um legado a favor da democracia. Nesse período, Barroso foi alvo de intensos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL). Barroso será substituído no cargo pelo ministro Edson Fachin, que comandará o TSE até agosto.

“Eu optei por não entrar com ação penal, queixa-crime [contra o presidente], por muitas razões, mas a principal é que eu não trato isso como uma questão pessoal. A democracia foi a causa da minha geração e eu me mobilizo para defendê-la, mas eu não paro para bater boca”, afirmou o ministro, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira, 17.

Sobre as alegadas fraudes eleitorais propagadas pelo presidente Jair Bolsonaro, Barroso comparou o sistema atual ao de papel. “O presidente falando todos os dias contra o sistema gerou desconfiança em pouco mais de 20% da população. Certamente, gente que não conviveu com todas as fraudes que havia no tempo do voto em papel.”, disse.
ministro empreendeu esforços de criar canais de diálogo com as redes socais, espaços que estão sendo usados para propagação de fake news. “Existe um problema que não é propriamente das plataformas, é um problema da condição humana. O ódio, a mentira e sensacionalismo geram muito mais engajamento do que um discurso racional e moderado. O post ou a notícia absurda dão muito mais cliques, e a remuneração das plataformas em geral se dá em função do número de acessos.”, explicou.

“Portanto, há um problema que precisa ser neutralizado. Para isso, existe a legislação e existem os acordos que nós estamos fazendo, pelos quais, consensualmente, se procura evitar esse tipo de abuso.”. endossou.

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